Ainda repercute muito a decisão da Ford de fechar suas três fábricas no Brasil, anunciada na última segunda-feira. As análises são variadas e mudam de acordo com a posição política e ideológica de cada analista. Os críticos do governo dizem que a montadora demonstra falta de confiança na recuperação econômica do Brasil. Já os apoiadores do governo, veem a estratégia da Ford como uma atitude de má fé, uma vez que a montadora usufruiu de vários empréstimos com juros subsidiados do BNDES.

VENDAS

A Ford não quer mais produzir no Brasil, mas quer continuar tendo clientes brasileiros, pois mantém suas linhas de produção em outros países da América do Sul. É preciso lembrar que a Ford passa mesmo por uma reestruturação mundial e que sua prioridade é consolidar o carro elétrico. Em resumo: o Brasil não é interessante como integrante da cadeia global de produção, mas é importante na cadeia global de consumo.

EFEITOS

Os primeiros efeitos da saída da Ford do Brasil é o temor de que os carros da montadora perderão valor de revenda. Eles passam a ser carros fora de linha. Especialistas em vendas de veículos falam que é preciso esperar um pouco para ver como será o comportamento no mercado. A possível desvalorização vale para todo os modelos e todos os anos de fabricação. Os revendedores de veículos ainda não estimam em quanto será a desvalorização dos veículos da Ford, mas ela é muito provável. Em termos de reposição de peças, não deve haver problemas.

DEMISSÕES

A maior preocupação em relação ao fechamento das fábricas da Ford é com a demissão de seus 5 mil servidores. O governo federal fala em apoiar os demitidos. Muitas empresas estão ampliando seus investimentos no Brasil e poderiam aproveitar a mão de obra altamente qualificada de funcionários treinados. Mas isto, por enquanto, é apenas uma hipótese.

MAL ESTAR

A postura do chanceler brasileiro Ernesto Araújo em relação à invasão do Capitólio, em Washington, na semana passada, causa mal-estar entre os demais diplomatas do Itamaraty. Ele condenou a invasão do Congresso americano, mas difundiu as sandices de Donald Trump sobre fraude nas eleições.

ANTÍTESE DO DIPLOMATA

Associações de diplomatas de todos os setores consideram a postura inadequada e pode colocar em risco a relação do Brasil com os Estados Unidos com a posse do presidente Joe Biden. Ernesto Araújo é a antítese do diplomata competente. Ele gosta de impor suas posições ideológicas acima dos interesses do país. Lamentável ainda estar no cargo. Araújo resolveu tirar férias entre 18 e 22 de janeiro. Vale lembrar que no dia 20, Joe Biden toma posse.

INFLAÇÃO

O IBGE divulgou, nesta terça-feira, o IPCA de 2020, que fechou em 4,52%. A inflação do ano passado foi a maior registrada no país desde 2016. Nos últimos meses do ano passado, a pressão sobre os preços dos alimentos contribuiu fortemente para o aumento da inflação oficial. A projeção da inflação para 2021 é de 3,34%.

HOTÉIS

O grupo Atlantica Hotels International (AIH), do megainvestidor George Soros, estuda investir na compra de hotéis no Brasil. O AIH já é o segundo maior grupo hoteleiro do país com 135 hotéis e 22 mil quartos, com bandeiras como Confort, Quality e Radisson. O grupo de Soros estuda a situação de concorrentes e deve agir sobre os que estão em situação financeira mais delicada. O mercado hoteleiro do Brasil é dividido em 60% de empresas pequenas e familiares e 40% das redes hoteleiras de grande porte.

FARMÁCIAS

As farmácias vivem um período de alta nas vendas, desde o início da pandemia do coronavírus. A demanda para o setor segue acelerada e por isso 2021 deve ser um ano de fortes investimentos. Hoje no Brasil existem cerca de 90 mil farmácias. Em 2020, 400 novas farmácias foram abertas em todo o país em relação ao ano anterior. A previsão em 2021 é que sejam abertos 900 novos pontos de vendas em todo o país.

MÁQUINAS AGRÍCOLAS

Foram vendidas 47.077 máquinas agrícolas e rodoviárias no Brasil em 2020, com crescimento de 7,3% em relação a 2019, de acordo com a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores. O crescimento se deve ao crescimento da produção de grãos no país. A expectativa é que as vendas cresçam outros 7% neste ano. No caso específico das máquinas agrícolas, a previsão é de alta de 5%.00