Foto: Andre Wormsbecker

Em uma pequena área do terreno onde está localizada a unidade de acolhimento Bairro Novo, que acolhe pessoas em situação de rua, no Sítio Cercado, o colorido das verduras e temperos chama a atenção. Na terra fértil crescem pés de milho e mandioca, além beterraba, quiabo, repolho roxo, radite, alfaces e escarola.

A horta, que vem sendo cultivada desde 2018, é uma iniciativa dos educadores sociais da Fundação de Ação Social (FAS), Zenovio Liczko, mais conhecido como Zeno, e Robson Inocêncio Eduardo, que trabalham na unidade e envolve alguns dos acolhidos que se dedicam na limpeza dos canteiros, adubação da terra e do plantio.

A horta ganhou novas sementes e mudas em setembro de 2020 e já garantiu muitos alimentos para as refeições dos acolhidos, que são pessoas convalescentes, com idade acima de 39 anos e idosas.

“No Ano-Novo fizemos um churrasco para os usuários e as saladas foram montadas só com produtos da horta”, conta o educador social Zeno. A expectativa agora é com a colheita do milho que foi plantado com sementes fortificadas levadas pelo próprio educador e que será feito cozido.

Proprietário de uma chácara, Zeno conta que gosta de plantar. Experiente na lida na terra ele incentiva os acolhidos a cuidar da horta. “Poucos são frequentes, mas sempre tem gente querendo ajudar a capinar, adubar e plantar”, conta.

Ocupação
Humberto Luiz dos Santos, 54 anos, é o acolhido que mais ajuda. “Gosto de trabalhar na horta e faço o que precisa, como limpar, plantar, organizar. Me distraio, não fico ocioso, e além do mais o Zeno é muito legal, divertido”, afirma o homem.

Santos chegou à unidade em junho de 2020, depois de ser abordado pela equipe da FAS. Ele precisou ser acolhido por estar em situação de rua, depois da morte da mãe, com quem morava, até um ano atrás.

Experiente no manejo da terra, o piauiense Gilvanio de Oliveira Gomes, 64 anos, também trabalha na horta, quando não sente as dores provocadas por uma artrose. “Gosto de cuidar de plantas, flores e animais”, diz.

Antes de ficar em situação de rua, Gomes trabalhou em uma floricultura, em um condomínio residencial e em uma concessionária de veículos, onde era porteiro. Desempregado, começou a ser atendido pela FAS em 2017.

O motorista de caminhão e ônibus José Marcos Barbosa, 65 anos, conta que gosta de ajudar em algumas atividades da unidade. Além da horta, colabora na limpeza da cozinha e do pátio. “O negócio é não ficar parado”, diz. Pontagrossense, Barbosa está acolhido há seis meses na Unidade de Acolhimento Institucional (UAI) Bairro Novo e aguarda completar 65 anos para pedir a aposentadoria por idade.

Integração e autoestima
Kassandra Hoffmann, coordenadora da UAI Bairro Novo, explica que a horta já existia na unidade, mas foi incrementada em setembro de 2020, por causa da pandemia da covid-19. “Precisávamos buscar alternativas de atividades internas que não transgredissem as medidas de prevenção. A horta foi escolhida por ser uma atividade ao ar livre e que pode ser feita em pequenos grupos.”

A coordenadora conta que o objetivo inicial era promover a integração e a socialização, mas a atividade também trouxe benefícios para a saúde física e mental dos acolhidos. “Muitos dos nossos idosos trabalharam no campo quando eram jovens e aqui, ao dividirem suas experiências e vivências, eles se sentiram valorizados, o que melhora a autoestima”, diz.

Outro benefício trazido pela horta, segundo a coordenadora, é o estímulo à alimentação saudável. “É gratificante observar a satisfação e orgulho que sentem quando é preparado e servido algo que foi cultivado por eles.”

A horta na UAI Bairro Novo conta também com os cuidados dos acolhidos Eli Caetano de Lima, 47 anos, Emanoel Vieira de Melo, 58, Izaque Rodrigues de Almeida, 53, João Sebastião Batista Andrade, 64, e Luiz Alves de Siqueira, 60. A atividade tem o apoio da Secretaria Municipal da Segurança Alimentar e Nutricional.