Biometano: Entenda o que separa esse combustível do biogás bruto produzido nos aterros

Por Diego Velázquez 5 Min de leitura
Felipe Schroeder dos Anjos

Sendo engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos informa que biometano é o nome dado ao biogás depois de passar por um processo de purificação que remove impurezas e eleva a concentração de metano a níveis próximos aos do gás natural fóssil. Isto posto, essa diferença, embora pareça técnica, define se o combustível pode circular em motores veiculares ou permanecer restrito à geração de energia dentro do próprio aterro.

O biogás bruto carrega metano, mas também gás carbônico, umidade e compostos como o sulfeto de hidrogênio, que corroem equipamentos e reduzem o poder calorífico da mistura. É justamente essa composição instável que impede o uso direto do biogás em veículos ou na rede de distribuição, tornando a purificação uma etapa decisiva na cadeia de valor do combustível. A seguir, veremos como esse processo funciona na prática.

Por que o biogás bruto não pode ser usado como combustível veicular?

O biogás bruto sai do aterro com metano diluído entre 50% e 60%, o restante composto por dióxido de carbono e traços de outros gases. De acordo com Felipe Schroeder dos Anjos, essa diluição reduz a densidade energética da mistura, o que exige queimar um volume maior de gás para gerar a mesma quantidade de energia obtida com o gás natural convencional.

Assim sendo, o problema não é apenas energético. O sulfeto de hidrogênio presente no biogás bruto se transforma em ácido sulfúrico ao entrar em contato com a umidade, corroendo motores, tubulações e componentes metálicos em poucos meses de uso contínuo.

Como funciona a purificação que transforma biogás em biometano?

A purificação, também chamada de upgrading, remove o dióxido de carbono, a umidade e os compostos sulfurados do biogás bruto. Técnicas como a separação por membranas, a adsorção e a lavagem com água ou soluções químicas concentram o metano até patamares acima de 90%, aproximando o gás resultante das especificações do gás natural veicular.

Felipe Schroeder dos Anjos
Felipe Schroeder dos Anjos

Como frisa o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, esse refino não é apenas um filtro adicional, mas uma mudança de categoria do produto. O biogás deixa de ser um subproduto de descarte e passa a competir, em qualidade, com combustíveis fósseis já estabelecidos no mercado de transporte e na indústria.

O biometano como uma alternativa para o transporte e a indústria

A adoção do biometano avança porque resolve gargalos concretos enfrentados por setores que dependem de combustíveis fósseis. Isto posto, entre os fatores que explicam esse movimento, destacam-se:

  • Redução de emissões: o biometano mantém a origem renovável do biogás, mas com queima mais limpa e eficiente.
  • Compatibilidade com infraestrutura existente: pode ser injetado em redes de gás natural sem grandes adaptações.
  • Redução de custos logísticos: sua forma comprimida ou liquefeita reduz o volume transportado em comparação ao biogás bruto.
  • Diversificação de receita: aterros e estações de tratamento passam a vender um produto de maior valor agregado.

Esses fatores explicam por que empresas do setor de resíduos têm investido em plantas de purificação, mesmo diante do custo inicial mais alto que a simples queima do biogás bruto no local.

O papel da purificação na expansão do mercado de biometano

O avanço do biometano no Brasil depende menos de incentivos pontuais e mais da consolidação de uma cadeia de purificação eficiente e replicável em diferentes escalas de aterro e estação de tratamento de resíduos. Felipe Schroeder dos Anjos retrata que sem essa etapa de refino, o biogás permanece um recurso subaproveitado, restrito ao entorno imediato de onde é gerado. Com ela, o mesmo resíduo orgânico se transforma em um combustível capaz de abastecer frotas inteiras e alimentar processos industriais que hoje dependem de fontes fósseis.

O biometano marca a virada do resíduo de aterro em ativo energético

Em última análise, a diferença entre biogás e biometano não é apenas técnica, é estratégica. Conforme pontua o engenheiro ambiental, Felipe Schroeder dos Anjos, o biogás bruto confina o valor do resíduo orgânico ao local onde é gerado, enquanto o biometano transforma esse resíduo em um ativo capaz de circular pelo mercado e sustentar cadeias de transporte e indústria. Portanto, a purificação é o que decide se o metano será apenas um combustível vendido em larga escala.

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