Nova concessão dos ônibus de Curitiba prevê R$ 3,9 bilhões: o que muda para quem usa o transporte coletivo

Por Sebastian Dorel 9 Min de leitura
Nova concessão dos ônibus de Curitiba prevê R$ 3,9 bilhões: o que muda para quem usa o transporte coletivo

Edital publicado nesta semana abre caminho para integração ampliada, mais ônibus elétricos, novas linhas e mudanças que podem afetar a rotina dos passageiros.

A nova concessão do transporte coletivo de Curitiba entrou em uma etapa decisiva nesta semana e pode provocar uma das maiores transformações no sistema de ônibus da capital nos próximos anos. A Prefeitura publicou em 19 de agosto o edital que prevê contratos de 15 anos, divididos em cinco lotes, e investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões. A entrega das propostas está marcada para 17 de novembro, enquanto o leilão deverá ocorrer em 26 de novembro, na B3, em São Paulo. (Band)

Para quem mora, trabalha ou estuda em Curitiba, entretanto, a principal dúvida não é apenas quem vencerá a licitação. O que realmente importa é entender o que poderá mudar no ônibus usado diariamente, quando essas alterações começarão a aparecer e quais efeitos podem alcançar bairros, terminais e conexões com a Região Metropolitana. O novo modelo prevê integração temporal mais ampla, renovação da frota, expansão dos veículos elétricos, novas linhas, testes de transporte por demanda e mudanças na infraestrutura. (Prefeitura de Curitiba)

O que muda no transporte coletivo de Curitiba com a nova concessão?

A principal mudança será a criação do Sistema Integrado de Mobilidade, que substituirá os atuais contratos de concessão e dará continuidade à Rede Integrada de Transporte. O modelo foi estruturado pela Prefeitura em parceria com o BNDES, passou por análise do Tribunal de Contas do Estado e recebeu contribuições de consultas e audiências públicas realizadas durante a preparação do projeto. Agora, com o edital publicado, o processo passa a ter regras concretas para a disputa entre os futuros operadores. (Band)

Os cinco lotes foram desenhados para atender diferentes partes da rede. Dois estarão concentrados nas linhas estruturais de BRT, enquanto três terão caráter regional, abrangendo linhas alimentadoras e convencionais próximas aos bairros. A proposta também prevê reformulação de itinerários, criação de novas linhas e melhorias em estações-tubo, o que pode alterar a forma como passageiros de diferentes regiões chegam aos principais corredores de transporte. (Band)

Uma das mudanças que mais pode interessar ao passageiro é a ampliação da integração temporal. A ideia é permitir que o usuário possa realizar determinadas conexões entre linhas sem precisar pagar uma nova passagem, mesmo quando a transferência não ocorrer dentro de um terminal ou estação-tubo. O objetivo é tornar a rede mais flexível, principalmente para deslocamentos entre bairros que atualmente exigem trajetos menos diretos ou dependem de conexões específicas. (Prefeitura de Curitiba)

A proposta também prevê testes com transporte por demanda. Segundo as informações do edital, um projeto-piloto de 12 meses deverá utilizar nove micro-ônibus ou midi-ônibus, com possibilidade de agendamento por aplicativo e definição mais dinâmica dos trajetos conforme a procura. Se o modelo funcionar, poderá oferecer uma alternativa para áreas onde manter linhas convencionais com alta frequência não seja economicamente eficiente, especialmente em determinados horários. (Band)

Como os ônibus elétricos e as novas linhas podem afetar a rotina dos passageiros?

A eletrificação é outro eixo central da nova concessão. O projeto prevê a aquisição de aproximadamente 250 ônibus elétricos nos primeiros cinco anos, além da compra de veículos a diesel com tecnologia Euro 6 e da renovação progressiva da frota ao longo dos 15 anos. Também estão previstos dois eletropostos públicos, nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia, além da infraestrutura necessária para recarga nas garagens das empresas. (Prefeitura de Curitiba)

Para o passageiro, a mudança não significa apenas trocar um tipo de motor por outro. Os novos ônibus elétricos deverão trazer ar-condicionado, menor nível de ruído e ausência de emissões diretas pelo escapamento. A climatização também será obrigatória nos novos veículos a diesel, com uma meta de ampliar progressivamente a quantidade de ônibus climatizados. Em uma cidade que enfrenta períodos de frio intenso e também episódios de calor, o conforto térmico pode ter impacto direto na experiência de quem passa bastante tempo no transporte público. (Band)

O investimento previsto também pode movimentar uma cadeia econômica ligada à mobilidade urbana. A compra de ônibus elétricos exige infraestrutura de recarga, sistemas de gestão de energia, manutenção especializada, tecnologia embarcada e profissionais capacitados para lidar com novos equipamentos. Isso abre espaço para empresas de tecnologia, oficinas especializadas, fornecedores e trabalhadores com formação em elétrica, eletrônica, automação e gestão de sistemas de transporte. Para Curitiba, que possui forte presença universitária e tecnológica, essa transição pode criar oportunidades além da operação convencional dos ônibus.

Outro ponto importante é que o edital prevê novos mecanismos para acompanhar a qualidade do serviço. A proposta estabelece indicadores de desempenho e prevê possibilidade de redução da remuneração dos operadores que não cumprirem determinados padrões. O modelo também altera a lógica econômica da concessão, criando mecanismos para que a remuneração esteja relacionada à operação contratada e aos resultados esperados, e não simplesmente à quantidade de passageiros transportados. (Bem Paraná)

Quando as mudanças começam e o que Curitiba precisa acompanhar?

A publicação do edital não significa que todos os novos ônibus ou linhas começarão a circular imediatamente. Antes disso, será necessário concluir a licitação, receber e analisar as propostas, realizar o leilão e cumprir as etapas administrativas para contratação dos vencedores. A entrega das propostas está prevista para novembro, com o leilão marcado para 26 de novembro na B3. Portanto, o cronograma de implantação dependerá do andamento dessas etapas e da transição entre os contratos. (Band)

A população também terá de observar como as mudanças serão distribuídas pela cidade. A existência de cinco lotes permite organizar a operação por diferentes características de linhas e regiões, mas a experiência do passageiro dependerá da integração entre essas partes. Para quem vive em bairros afastados do Centro, por exemplo, uma nova linha alimentadora pode ser tão importante quanto a chegada de um ônibus elétrico a um corredor principal. A qualidade da rede será medida pela facilidade de completar o trajeto, e não apenas pela modernidade dos veículos.

Outro aspecto que merece atenção é a relação entre transporte coletivo e desenvolvimento urbano. Quando uma linha se torna mais frequente, confiável e integrada, áreas próximas aos corredores podem ganhar atratividade para comércio, serviços, moradia e atividades profissionais. Isso pode influenciar deslocamentos de trabalhadores, estudantes e consumidores e, em médio prazo, contribuir para mudanças na dinâmica econômica de determinados bairros. O efeito também pode ultrapassar os limites municipais caso a integração com cidades da Região Metropolitana avance.

Para Curitiba, os próximos meses serão importantes justamente porque o valor anunciado é elevado e o contrato terá duração de 15 anos. A população poderá acompanhar não apenas o resultado da licitação, mas também os cronogramas de renovação da frota, implantação dos eletropostos, criação de linhas, funcionamento da integração temporal e desempenho dos operadores. Se as metas forem executadas conforme previsto, o transporte coletivo poderá entrar em uma fase mais tecnológica, confortável e eficiente, ao mesmo tempo em que a cidade terá de administrar os custos e a transição para uma frota menos poluente. O resultado final será percebido principalmente no cotidiano de quem depende do ônibus para estudar, trabalhar e circular pela capital.

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