Projeto com BNDES prevê estudos para uma PPP voltada à modernização das redes elétricas e de telecomunicações da capital paranaense.
Curitiba deu um novo passo para mudar uma característica comum da paisagem urbana: a concentração de fios e cabos aéreos em postes. A Prefeitura e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram nesta semana um protocolo de intenções para iniciar os estudos de viabilidade de uma Parceria Público-Privada (PPP) destinada ao enterramento da fiação elétrica e de telecomunicações. A iniciativa coloca a capital paranaense como a primeira cidade brasileira a contratar estudos para estruturar uma PPP especificamente voltada a esse tipo de infraestrutura. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
A proposta chama atenção não apenas pelo aspecto visual. A mudança pode ter efeitos sobre segurança, qualidade da distribuição de energia, conectividade, proteção contra eventos climáticos e organização das ruas. Para moradores, comerciantes e empresas de Curitiba, porém, a principal dúvida é outra: quando essa transformação poderá ser percebida no cotidiano e quais regiões serão priorizadas? O projeto ainda está na etapa de estudos, mas os próximos meses serão importantes para definir custos, modelo de operação, áreas atendidas e responsabilidades.
Por que Curitiba quer enterrar os fios e quais problemas isso pode resolver?
A existência de grandes conjuntos de cabos nos postes não é apenas uma questão estética. Redes aéreas ficam expostas a acidentes, incêndios, furtos, vandalismo e condições climáticas adversas, além de contribuírem para a poluição visual e, em determinados locais, dificultarem intervenções urbanas. A Prefeitura já vinha estudando a alternativa há mais de um ano e aponta a infraestrutura subterrânea como uma possibilidade para tornar a rede elétrica e de telecomunicações mais resiliente. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
Para quem vive em Curitiba, os efeitos potenciais são mais amplos do que a retirada de fios da paisagem. Uma rede subterrânea pode reduzir a exposição dos cabos a ventos fortes, quedas de árvores e outros eventos que provocam interrupções, embora isso não signifique que apagões deixariam de ocorrer. A infraestrutura também pode melhorar a organização do espaço urbano, especialmente em áreas históricas, turísticas e de grande circulação, onde a presença de postes e cabos interfere na paisagem e na utilização das calçadas.
O projeto também tem relação direta com a transformação digital da capital. A Prefeitura já apontou que a infraestrutura subterrânea pode favorecer a implantação e a utilização de tecnologias como 5G e Internet das Coisas, que dependem de redes de comunicação cada vez mais densas e confiáveis. Isso pode ser relevante para empresas de tecnologia, serviços digitais, sistemas de monitoramento e soluções de cidade inteligente, embora os benefícios concretos dependam da qualidade da infraestrutura que será construída. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
Quais regiões de Curitiba podem ser priorizadas no projeto?
A Prefeitura já indicou que a intenção inicial é trabalhar com até 120 quilômetros de cabos aéreos enterrados, priorizando vias pavimentadas e áreas consideradas estratégicas. Entre os critérios citados estão regiões mais adensadas, turísticas, históricas ou que apresentem problemas relacionados à resiliência da infraestrutura. Isso significa que o projeto não deve transformar toda a cidade simultaneamente, mas avançar por áreas definidas a partir de critérios técnicos e econômicos. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
Essa definição será uma das partes mais importantes dos estudos que serão contratados com apoio do BNDES. O protocolo assinado em agosto permite avançar nas providências preparatórias, enquanto a contratação dos serviços técnicos especializados está prevista para ocorrer até o fim de 2026. A partir desses estudos, será possível avaliar a viabilidade financeira, técnica e regulatória da PPP e estabelecer uma estrutura mais concreta para a futura implantação. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
O custo também será um dos principais desafios. Em uma apresentação realizada anteriormente pela Prefeitura, a estimativa preliminar para o projeto chegava a R$ 1,2 bilhão, considerando o objetivo de alcançar até 120 quilômetros de rede. Esse valor não deve ser tratado como custo definitivo da futura PPP, porque justamente uma das funções dos estudos será avaliar a modelagem e atualizar as estimativas. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
Para moradores e comerciantes, outro ponto relevante será a realização das obras. Enterrar cabos exige intervenções no subsolo, abertura de pavimento, reorganização de redes existentes e planejamento para evitar impactos excessivos no trânsito e no acesso a imóveis. A experiência de outras obras urbanas mostra que projetos de infraestrutura podem causar transtornos temporários, por isso cronogramas, sinalização e comunicação com a população serão fundamentais para que uma melhoria de longo prazo não provoque problemas desnecessários durante sua execução.
O que muda para moradores, empresas e para o futuro de Curitiba?
A mudança pode trazer oportunidades econômicas que vão além da modernização da paisagem. Uma infraestrutura urbana mais organizada pode favorecer áreas comerciais, turismo, serviços digitais e projetos imobiliários em regiões beneficiadas, especialmente quando o enterramento estiver associado à revitalização de ruas e espaços públicos. A Prefeitura também relaciona a fiação subterrânea à valorização urbana e à melhoria da mobilidade e acessibilidade, embora esses efeitos variem conforme o local e a qualidade do projeto executado. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
Para empresas de tecnologia e telecomunicações, a modernização pode representar uma infraestrutura mais preparada para a expansão de serviços conectados. Isso ganha importância à medida que Curitiba amplia iniciativas relacionadas a cidades inteligentes, automação e digitalização dos serviços. Ao mesmo tempo, a participação de concessionárias, operadoras e demais empresas será necessária para que diferentes redes sejam organizadas de maneira integrada, evitando que o município resolva apenas parte do problema.
O modelo de PPP também merece atenção porque significa que o projeto ainda precisa passar por uma estruturação antes de se transformar em obra. A Prefeitura e o BNDES terão de definir como serão distribuídos os investimentos, quais serão as obrigações do poder público e do parceiro privado, como ocorrerá a remuneração e quais indicadores deverão ser cumpridos. O protocolo anunciado em 25 de agosto, portanto, não significa que os moradores já começarão a ver ruas sendo abertas para retirar os fios, mas representa uma etapa formal para tornar essa possibilidade viável. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
O próximo movimento será justamente a realização dos estudos técnicos que poderão indicar se o modelo é sustentável e como deverá funcionar. Se a estruturação avançar, Curitiba poderá se tornar referência nacional em uma área que envolve energia, telecomunicações, planejamento urbano e infraestrutura digital. Para os moradores, o resultado mais importante será acompanhar quais regiões serão escolhidas, como as obras serão executadas e quais garantias serão estabelecidas para preservar a qualidade dos serviços durante a transição.
A transformação, portanto, deve ser observada como um projeto de longo prazo, e não como uma obra imediata. A previsão de contratação dos estudos até o fim deste ano permitirá que 2027 seja um período decisivo para conhecer custos, áreas prioritárias e condições da eventual PPP. Se os estudos confirmarem a viabilidade do modelo, Curitiba poderá avançar para uma infraestrutura urbana menos dependente de redes expostas e mais preparada para novas tecnologias. Para quem mora, trabalha ou investe na capital, a mudança poderá significar ruas mais organizadas, maior resiliência e melhores condições para a expansão da conectividade, desde que a execução acompanhe a ambição do projeto. (Prefeitura Municipal de Curitiba)
