Moradia em Curitiba entra em novo debate: como as próximas políticas podem mudar o acesso à casa própria

Por Sebastian Dorel 8 Min de leitura
Moradia em Curitiba entra em novo debate: como as próximas políticas podem mudar o acesso à casa própria

O acesso à moradia voltou ao centro do debate em Curitiba nesta sexta-feira (28), em um momento em que a cidade amplia a construção de habitações populares e busca novas formas de enfrentar as diferentes situações de vulnerabilidade habitacional. O seminário Habitação em Perspectiva, promovido pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e pela PUCPR, reúne representantes do poder público, academia, movimentos sociais e setor produtivo para discutir caminhos para ampliar o acesso à moradia. (Prefeitura de Curitiba)

O assunto interessa diretamente a quem procura imóvel em Curitiba, enfrenta dificuldade para pagar aluguel ou depende de programas habitacionais. Isso porque a política de moradia não envolve apenas construir casas ou apartamentos. Ela também passa por localização, transporte, infraestrutura, regularização fundiária, melhorias em imóveis existentes e criação de alternativas para famílias que não conseguem comprar uma unidade. O debate ganha força enquanto a Prefeitura informa avanços em diferentes empreendimentos e um estudo do Ippuc busca identificar com maior precisão quem são as famílias afetadas pelo déficit habitacional.

Por que Curitiba precisa discutir novas formas de acesso à moradia?

Uma das principais dificuldades da política habitacional é que famílias em situação de vulnerabilidade não possuem necessariamente o mesmo problema. Algumas precisam de uma nova residência, outras necessitam regularizar o imóvel onde já vivem, enquanto há casos em que reformas, melhorias estruturais ou uma solução temporária de aluguel podem ser suficientes. O estudo desenvolvido pelo Ippuc justamente procurou qualificar o diagnóstico do déficit habitacional de Curitiba, identificando o perfil e a distribuição da demanda para subsidiar políticas públicas mais adequadas. (Prefeitura de Curitiba)

Essa diferenciação pode mudar a maneira como os recursos públicos são aplicados. Se uma família já possui uma estrutura residencial, mas vive em condições inadequadas, por exemplo, uma política de melhoria habitacional pode produzir resultado mais rápido do que a construção de uma nova unidade. Em outros casos, o aluguel social pode ser uma alternativa para situações emergenciais, enquanto programas de habitação de interesse social podem atender famílias que precisam de uma solução permanente. O seminário realizado no Parque Barigui colocou justamente essas diferentes estratégias em discussão. (Prefeitura de Curitiba)

O desafio também está relacionado ao crescimento e à organização urbana da capital. Curitiba tinha 1,77 milhão de habitantes no Censo 2022 e a estimativa do IBGE para 2025 chegou a aproximadamente 1,83 milhão. Esse tamanho populacional aumenta a pressão sobre o mercado imobiliário, infraestrutura e serviços, especialmente quando o preço da terra e dos imóveis dificulta que famílias de menor renda permaneçam próximas das áreas com empregos e equipamentos públicos.

O que os novos projetos habitacionais podem mudar na vida dos curitibanos?

A Prefeitura vem ampliando a produção de moradias populares. Em agosto, o município programou a entrega de 179 unidades em Atuba, Caximba e Boa Vista e o lançamento de um empreendimento com 224 apartamentos no Novo Mundo. Somadas, as iniciativas representam 403 novas unidades habitacionais. A administração municipal também projetou chegar ao final de 2026 com mais de 5,5 mil moradias entregues, em construção ou contratadas. (Prefeitura de Curitiba)

Um exemplo importante é o Bairro Novo do Caximba, que combina habitação com obras de infraestrutura e medidas de adaptação urbana. O projeto inclui novas moradias, regularização fundiária, pavimentação, sistemas de água, esgoto, iluminação e intervenções voltadas à redução de riscos. A proposta mostra como uma política habitacional pode produzir efeitos que vão além da entrega das chaves, criando condições para que os moradores tenham acesso mais adequado a serviços, circulação e atividades econômicas. (Prefeitura de Curitiba)

A localização é outro fator decisivo. Uma moradia mais barata, mas distante dos empregos, escolas, unidades de saúde e transporte coletivo, pode gerar custos elevados para a família ao longo do tempo. Por isso, planejamento urbano e habitação precisam caminhar juntos. Quando um novo conjunto habitacional é acompanhado de infraestrutura e conexão com a cidade, o investimento público tende a produzir benefícios mais amplos para os moradores.

O impacto econômico também pode aparecer nos bairros. O próprio Bairro Novo do Caximba já apresenta exemplos de unidades de uso misto, permitindo que algumas famílias mantenham atividades comerciais ou profissionais próximas de casa. Na prática, isso pode favorecer pequenos empreendedores, reduzir deslocamentos e preservar atividades econômicas que já existiam na comunidade. (Prefeitura de Curitiba)

Quais soluções podem ganhar espaço daqui para frente?

O debate realizado em Curitiba aponta para uma política habitacional mais diversificada. Entre os temas discutidos estão experiências de aluguel social, parcerias público-privadas, melhorias habitacionais e novas formas de produção de habitação de interesse social. A presença de representantes do Ministério das Cidades, Cohab Curitiba, Ippuc, PUCPR, Banco Interamericano de Desenvolvimento e setor imobiliário mostra que a busca por soluções não depende exclusivamente da construção de unidades pelo município. (Prefeitura de Curitiba)

Para quem vive de aluguel, essa mudança de perspectiva pode ser especialmente importante. O aluguel social, por exemplo, pode funcionar como instrumento para famílias que precisam de proteção temporária e não necessariamente de uma casa nova imediatamente. Já programas de melhoria podem evitar que moradores sejam obrigados a deixar determinadas regiões quando uma intervenção na própria residência for suficiente para melhorar as condições de segurança e habitabilidade.

As parcerias com o setor privado também podem ampliar a quantidade de empreendimentos, desde que sejam acompanhadas de critérios claros sobre localização, público atendido e infraestrutura. O objetivo não deve ser apenas aumentar o número de imóveis disponíveis, mas criar moradias integradas à cidade. Para Curitiba, isso significa considerar transporte coletivo, escolas, saúde, comércio, áreas verdes e acesso ao mercado de trabalho desde o planejamento dos empreendimentos.

Nos próximos meses, a tendência é que o debate sobre moradia em Curitiba avance da simples contagem de unidades para uma avaliação mais ampla da qualidade da política habitacional. O diagnóstico do Ippuc, os novos empreendimentos e as discussões entre poder público, universidades e setor produtivo podem ajudar a definir estratégias diferentes para públicos diferentes. Para os moradores, isso pode significar mais possibilidades de acesso à moradia, mas também exige acompanhar critérios de seleção, novos projetos e políticas de aluguel ou melhoria habitacional. O cenário esperado é de maior integração entre habitação, planejamento urbano e infraestrutura, especialmente em áreas onde a expansão da cidade precisa ocorrer sem aumentar a distância entre moradia, trabalho e serviços essenciais.

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