Licitação de até R$ 25,5 milhões prevê viaduto, binário e melhorias em cinco ruas para reorganizar a circulação na região Sul de Curitiba.
Uma nova obra de mobilidade pode alterar a forma como moradores do Xaxim e de bairros próximos circulam pela região Sul de Curitiba. A Prefeitura reabriu nesta semana a licitação para construir um viaduto sobre a Linha Verde no prolongamento da Rua José Gomes de Abreu até a Rua Pedro Dorigo. O projeto prevê investimento de até R$ 25,58 milhões e inclui intervenções em outras ruas do entorno, criando uma ligação que hoje não existe sobre um dos principais eixos viários da capital.
A proposta chama atenção porque não se trata apenas da construção de uma passagem elevada. O novo viaduto deverá integrar um sistema de binário e reorganizar fluxos entre o Xaxim, Boqueirão e outras áreas conectadas à Avenida Brasília e à Rua Francisco Derosso. Para quem trabalha, estuda, utiliza transporte coletivo ou depende do carro para atravessar a região, a principal dúvida é o que realmente muda quando a estrutura estiver pronta. A resposta passa por redução de conflitos viários, novas rotas, obras de infraestrutura e pela própria transformação do corredor do Inter 2.
Por que Curitiba precisa de um novo viaduto sobre a Linha Verde?
O novo viaduto terá aproximadamente 95 metros de extensão e será construído para prolongar a Rua José Gomes de Abreu sobre a Linha Verde, conectando-a diretamente à Rua Pedro Dorigo. Atualmente, a Linha Verde funciona como uma importante barreira física e eixo de circulação entre diferentes áreas da cidade, fazendo com que determinadas conexões dependam de cruzamentos e caminhos mais longos. A criação de uma passagem elevada busca justamente estabelecer uma ligação direta e reorganizar o tráfego local.
A obra também prevê a implantação de um binário envolvendo a José Gomes de Abreu e Pedro Dorigo, no sentido Sul, e a Rua Francisco Derosso e a Avenida Brasília, no sentido Norte. Na prática, um binário distribui os fluxos de circulação entre vias com sentidos definidos, podendo diminuir conflitos em cruzamentos e tornar os deslocamentos mais previsíveis. O benefício, entretanto, dependerá de como os motoristas irão utilizar as novas conexões e de como a sinalização será implantada depois da conclusão do empreendimento.
A intervenção integra o Lote 3.1 D do projeto de aumento da capacidade e velocidade do Inter 2. O programa é mais amplo do que a construção de um único viaduto e prevê intervenções em mais de 38 quilômetros de vias por onde circulam as linhas Inter 2 e Interbairros II, além de obras de infraestrutura urbana que alcançam mais de 70 quilômetros de ruas. O objetivo é melhorar a velocidade operacional do transporte público e modernizar o espaço urbano utilizado pelos diferentes modos de deslocamento.
Para os moradores, isso significa que a mudança poderá ser percebida não apenas por quem passa diretamente pelo viaduto. A reorganização dos fluxos pode alterar trajetos utilizados por motoristas, ônibus, serviços de entrega e veículos de emergência. Em regiões de crescimento urbano, conexões mais diretas também podem reduzir a necessidade de concentrar todo o movimento em poucos cruzamentos, embora os resultados concretos só possam ser avaliados depois que a nova configuração estiver funcionando.
Quais ruas serão afetadas e quando a obra pode começar?
A licitação reaberta pela Prefeitura inclui, além do viaduto, intervenções de infraestrutura nas ruas Vilson Brun, Dom José Marello, Vereador Oswaldo Nascimento Bittencourt e Hipólito da Costa. O edital prevê recebimento de propostas até 5 de outubro de 2026. A primeira concorrência não teve vencedor porque as empresas participantes apresentaram valores considerados inexequíveis para a execução do serviço, razão pela qual o processo precisou ser reaberto.
Esse detalhe é importante para quem quer saber quando a estrutura estará pronta. A publicação do edital não significa que as obras começam imediatamente, porque ainda é necessário concluir a licitação, contratar a empresa vencedora, emitir a ordem de serviço e cumprir as etapas preparatórias. Depois da emissão da ordem de serviço, o prazo previsto para execução é de 14 meses. Portanto, o cronograma definitivo dependerá do resultado da concorrência e da assinatura do contrato.
Enquanto a obra não começa, moradores e comerciantes da região podem esperar novas atualizações sobre trânsito e planejamento viário. Grandes intervenções normalmente exigem alterações temporárias de circulação, principalmente durante etapas de fundação, construção das estruturas e conexão das novas vias. Para quem depende diariamente da região, acompanhar os comunicados da Prefeitura e dos órgãos de trânsito será importante, sobretudo quando forem divulgados os bloqueios e desvios.
A dimensão do empreendimento também ajuda a explicar por que o impacto não deve ser analisado isoladamente. O viaduto está inserido em uma sequência de obras previstas para o Xaxim e áreas próximas, incluindo melhorias em pavimentação, drenagem, acessibilidade e transporte coletivo. A Prefeitura já havia previsto a construção do viaduto José Gomes de Abreu, a ampliação do viaduto da Avenida Brasília e a implantação da Estação Xaxim entre as próximas frentes do Novo Inter 2.
Como a obra pode afetar transporte, empregos e desenvolvimento do Xaxim?
O principal ganho esperado está na integração da mobilidade. Como o viaduto faz parte do Novo Inter 2, a intervenção precisa ser observada junto às melhorias planejadas para o transporte coletivo, que incluem requalificação de vias, acessibilidade e preparação da infraestrutura para uma operação mais eficiente. O projeto é financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, com contrapartida municipal, e integra o PRO Curitiba, programa que prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos em infraestrutura, mobilidade, educação, saúde e cultura até 2028.
Para quem utiliza ônibus, a expectativa é que a reorganização viária contribua para reduzir pontos de conflito e melhorar a circulação nos corredores atendidos pelo Inter 2 e pelo Interbairros II. Para motoristas, a vantagem potencial está na criação de novas conexões e na distribuição dos fluxos por diferentes ruas. Já para pedestres, moradores e comerciantes, o resultado dependerá da qualidade das calçadas, travessias, sinalização e acessibilidade que acompanharão a transformação das vias.
Existe também um efeito econômico que merece atenção. Uma infraestrutura viária mais conectada pode facilitar o acesso a estabelecimentos comerciais, melhorar deslocamentos de trabalhadores e reduzir custos relacionados ao tempo gasto no trânsito. No entorno do Xaxim e de bairros próximos, isso pode favorecer atividades que dependem de circulação constante, como comércio, serviços, entregas e pequenas empresas. A valorização imobiliária também pode ocorrer em áreas beneficiadas por novas conexões, embora não seja possível afirmar previamente qual será sua intensidade.
Outro aspecto relevante é a geração de oportunidades durante e depois da implantação. Obras de infraestrutura demandam trabalhadores da construção civil, engenharia, manutenção, topografia, segurança e áreas administrativas, enquanto a modernização urbana cria novas necessidades para empresas que atuam em transporte, logística, serviços e comércio. Para estudantes e profissionais, grandes projetos urbanos também podem funcionar como vitrine para competências técnicas relacionadas à construção, mobilidade, planejamento e tecnologia.
A construção do viaduto, porém, não elimina automaticamente congestionamentos. Uma nova ligação pode redistribuir o tráfego e melhorar determinado ponto, mas seus efeitos dependem do conjunto da rede e do comportamento dos usuários. Por isso, o resultado mais importante será observado quando o viaduto estiver integrado às demais obras do Novo Inter 2 e quando o binário estiver plenamente operacional.
Os próximos meses serão decisivos para transformar o projeto em obra efetivamente contratada. Até 5 de outubro, empresas interessadas poderão apresentar propostas, e somente depois será possível avançar para as etapas de contratação e ordem de serviço. Se o cronograma seguir o planejamento municipal, os 14 meses previstos para execução deverão resultar em uma nova conexão sobre a Linha Verde e em uma configuração viária diferente para o Xaxim.
Para Curitiba, o empreendimento representa mais uma peça de um processo maior de transformação da mobilidade urbana. A cidade está combinando novos viadutos, requalificação de ruas, transporte coletivo, drenagem e acessibilidade em diferentes regiões. O desafio será garantir que essas intervenções funcionem como uma rede integrada, reduzindo gargalos e tornando os deslocamentos mais eficientes. Para moradores do Xaxim e da região Sul, a expectativa agora é acompanhar a licitação e verificar como uma obra de R$ 25,5 milhões poderá mudar, na prática, os caminhos usados todos os dias para trabalhar, estudar e circular pela capital.
