Ponte Salvador-Itaparica deve aproximar a capital baiana do Baixo Sul

Por Sebastian Dorel 5 Min de leitura
Alfredo Moreira Filho

Uma das maiores obras de infraestrutura em andamento no país começou a sair do papel na Bahia. Na concepção de Alfredo Moreira Filho, empresário cuja trajetória começou no Baixo Sul baiano e passou por Salvador, a ponte entre a capital e a Ilha de Itaparica pode redesenhar a relação econômica entre a região metropolitana e o interior do estado.

As obras foram oficialmente iniciadas no começo de julho, em Vera Cruz, e a previsão é de que a construção leve cerca de cinco anos. Entenda, nas próximas linhas, o que prevê o projeto, como ele pode afetar o Baixo Sul e quais pontos ainda geram debate.

O que prevê o projeto?

A ponte terá 12,4 quilômetros de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, ligando Salvador ao município de Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Quando concluída, deverá ser a maior ponte sobre lâmina d’água da América Latina. O investimento estimado é de R$ 11,6 bilhões, e a obra integra o Novo Programa de Aceleração do Crescimento, o Novo PAC.

O empreendimento é executado por meio de uma Parceria Público-Privada entre o governo da Bahia e uma concessionária, no regime de concessão patrocinada. A ponte faz parte de um conjunto maior, chamado Sistema Viário Oeste, que inclui também a duplicação da Ponte do Funil e trechos da rodovia BA-001. Conforme sustenta Alfredo Moreira, obras desse porte exigem planejamento de longo prazo e uma gestão capaz de coordenar diferentes etapas ao mesmo tempo.

Como a ponte deve mudar o acesso ao Baixo Sul?

Hoje, quem sai de Salvador em direção ao Baixo Sul depende da travessia por balsas até a ilha ou de um percurso rodoviário mais longo, contornando o Recôncavo. A nova ligação deve encurtar esse caminho, com redução estimada de cerca de duas horas no deslocamento entre a capital e localidades da região.

Alfredo Moreira Filho
Alfredo Moreira Filho

A mudança interessa diretamente a municípios como Valença, Ituberá, Igrapiúna e Camamu, que concentram produção de cacau, guaraná, cravo, dendê e borracha, além de atrativos turísticos da Costa do Dendê. Segundo estimativas apresentadas pela concessionária, cerca de 250 municípios baianos podem ser beneficiados pela nova rota. Como reforça Alfredo Moreira Filho, encurtar distâncias significa reduzir custos de transporte e aproximar produtores de mercados maiores.

Efeitos esperados na economia

Os defensores do projeto apontam impactos em diferentes setores. Durante a construção, a expectativa é de geração de cerca de 7 mil empregos. Depois de pronta, a ponte deve facilitar o escoamento da produção agrícola, estimular o turismo no Recôncavo, na Ilha de Itaparica e no Baixo Sul e atrair investimentos imobiliários e de serviços.

Há também a expectativa de aliviar o tráfego em rodovias que hoje concentram a ligação entre Salvador e o interior. Para o turismo, a possibilidade de chegar mais rápido às praias e cidades históricas da região pode aumentar o tempo de permanência dos visitantes no estado. Segundo a avaliação de Alfredo Moreira, a infraestrutura logística é um dos fatores que mais influenciam a competitividade de regiões produtoras distantes dos grandes centros.

Desafios e pontos de atenção

Como em qualquer obra de grande porte, o projeto também levanta preocupações. Especialistas e moradores chamam atenção para os possíveis impactos ambientais na Baía de Todos-os-Santos, para a pressão imobiliária sobre a Ilha de Itaparica e para a necessidade de planejamento urbano nos municípios que devem receber mais fluxo de pessoas e veículos.

Há ainda questionamentos sobre transparência em etapas do projeto e sobre a capacidade de manter o cronograma, já que a ponte foi anunciada e adiada diversas vezes ao longo dos anos. O acompanhamento dos órgãos de controle e da sociedade será decisivo para que os benefícios prometidos se concretizem. Na esteira do que expõe Alfredo Moreira Filho, o verdadeiro resultado da obra dependerá menos do concreto e mais da capacidade de transformar a nova ligação em desenvolvimento duradouro para o interior baiano.

 

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