A Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) realizou em setembro a terceira edição da pesquisa QualiÔnibus, levantamento que busca medir como os usuários avaliam o transporte coletivo da capital. A iniciativa foi anunciada pela Prefeitura de Curitiba em 10 de setembro de 2026 e integra uma parceria mantida desde 2024 com o World Resources Institute (WRI). O estudo considera a percepção dos passageiros sobre diferentes etapas da viagem, desde o acesso às linhas até a chegada ao destino.
As entrevistas começaram em 14 de setembro e foram conduzidas por fiscais da Urbs em terminais e pontos de ônibus. De acordo com a Prefeitura de Curitiba, a previsão inicial era que a coleta ocorresse até 25 de setembro, com possibilidade de extensão caso fosse necessário. Em atualização publicada pela Urbs, cerca de mil passageiros seriam ouvidos nesta terceira rodada.
O que os passageiros avaliam
O questionário aborda aspectos diretamente ligados à rotina de quem depende dos ônibus em Curitiba. Entre os temas estão o acesso ao transporte, o tempo de espera, o custo da tarifa, o conforto dos veículos e dos terminais, a segurança, a integração entre linhas, a confiabilidade do serviço e as formas de pagamento e recarga dos créditos.
A pesquisa também reúne informações sobre o perfil dos usuários e os motivos das viagens. Os passageiros são questionados sobre a frequência com que utilizam o sistema, a quantidade de linhas necessárias para completar os deslocamentos e a opinião sobre os veículos elétricos que começam a ser incorporados à frota. Com isso, o levantamento combina avaliação do serviço e características do público que utiliza diariamente a rede de transporte.
Os fiscais responsáveis pelas abordagens foram identificados com crachás da Urbs contendo a palavra “pesquisador”. As entrevistas ocorreram entre 6h e 19h30, período que inclui os horários de maior movimento dos trabalhadores e estudantes. No primeiro dia de coleta, segundo a empresa, aproximadamente 60 pessoas participaram do levantamento.
Dados podem orientar decisões sobre o sistema
Segundo a Urbs, a pesquisa é utilizada para identificar os pontos mais bem avaliados e aqueles que precisam de melhorias. O presidente da empresa, Ogeny Pedro Maia Neto, afirmou que ouvir os usuários ajuda a orientar medidas para tornar o transporte mais eficiente, confortável e seguro. A expectativa informada pela companhia é de que os dados sejam compilados cerca de 30 dias depois do encerramento das entrevistas.
O levantamento ocorre em um momento de mudanças no transporte coletivo de Curitiba. A cidade prepara uma nova concessão do serviço, e a avaliação dos passageiros passou a ser considerada como uma das referências para acompanhar a qualidade da operação. Em setembro, a Urbs e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentaram o novo modelo de concessão, que prevê indicadores relacionados à frota, à operação e à satisfação dos usuários.
A importância desse tipo de consulta também aparece nos resultados das edições anteriores. Conforme levantamento divulgado pela Prefeitura de Curitiba, a pesquisa de 2025 entrevistou 958 passageiros em 106 linhas, entre o sistema convencional e o BRT. O questionário tinha 63 perguntas e levava, em média, 12 minutos para ser respondido.
Resultados anteriores mostram avanço e desafios
Nas edições anteriores, a nota geral de satisfação passou de 6,5 em 2024 para 7,0 em 2025, em uma escala de zero a dez. O relatório também apontou que 86% dos entrevistados recomendariam o transporte coletivo e que 81,7% apoiavam a adoção de ônibus elétricos. Mais da metade dos participantes, ou 52,9%, considerava adequada a relação entre a qualidade do serviço e o valor pago.
A segurança pública apareceu como o item de menor aprovação no levantamento anterior. A partir desse diagnóstico, a Prefeitura informou a criação da Patrulha do Transporte Coletivo, voltada à prevenção de furtos, assédio e outras ocorrências nos ônibus. A Urbs também destacou que os veículos contam com monitores instalados junto ao painel dos motoristas, permitindo comunicação direta com o Centro de Controle Operacional em situações de crime, acidente ou outro problema durante a viagem.
Para os passageiros de Curitiba, a nova rodada representa uma oportunidade de registrar dificuldades e avaliar mudanças percebidas no sistema. As respostas ajudam a formar uma fotografia periódica do transporte coletivo e podem influenciar decisões sobre segurança, atendimento, integração, veículos e operação das linhas que atendem a capital paranaense.
