Como usar dados na tomada de decisão? Marcio Alaor de Araujo explica!

Por Sebastian Dorel 5 Min de leitura
Marcio Alaor de Araujo

O empresário Marcio Alaor de Araujo destaca que perguntas certas e indicadores confiáveis são mais valiosos do que painéis extensos. Ele examina como as empresas podem usar dados para decidir melhor. A disponibilidade de informação cresceu, mas decidir com base nela continua sendo um desafio. Painéis extensos e relatórios frequentes nem sempre geram clareza.

Começar pela pergunta, não pelo dado

O erro mais comum é coletar tudo e só depois pensar no que perguntar. O caminho mais eficiente é o inverso. A liderança define as decisões que precisa tomar nos próximos meses e, a partir delas, identifica quais informações são necessárias.

Marcio Alaor de Araujo explica que perguntas bem formuladas orientam a análise. Em vez de querer saber como as vendas estão, convém perguntar quais clientes reduziram compras e por quê. A pergunta mais específica leva a uma ação. A mais genérica costuma levar a um gráfico.

Poucos indicadores, bem escolhidos

Um conjunto enxuto de indicadores vale mais do que dezenas de números sem prioridade. Cada indicador deve ter definição clara, fonte conhecida, responsável e periodicidade. Se duas áreas calculam a mesma métrica de formas diferentes, as reuniões se perdem em discussões sobre o número.

Uma boa prática é separar indicadores de resultado, que mostram o que já aconteceu, de indicadores de tendência, que antecipam o que deve acontecer. A carteira de pedidos, por exemplo, antecipa a receita. A combinação dos dois tipos dá uma visão mais completa.

Qualidade do dado

Dados incorretos geram decisões incorretas. Cadastros duplicados, lançamentos fora de prazo e campos preenchidos de forma diferente por cada pessoa distorcem as análises. Por isso, a qualidade do dado precisa de responsável e de rotinas de verificação.

Marcio Alaor de Araujo
Marcio Alaor de Araujo

Padronizar a entrada de informações na origem é a medida mais eficaz. Quando o sistema impede erros de digitação e exige campos essenciais, o retrabalho cai. Conferências automáticas, como a comparação entre o total das vendas e o total do faturamento, revelam divergências no mesmo dia em que surgem. Marcio Alaor de Araujo observa que investir em qualidade de dados costuma custar menos do que corrigir decisões equivocadas depois.

Análise e julgamento

Os dados não decidem sozinhos. Eles informam, mas é a liderança que pondera contexto, risco e valores da empresa. Há situações em que não existem dados suficientes, como a entrada em um mercado novo. Nesses casos, a experiência e o julgamento têm papel maior.

O equilíbrio está em reconhecer o limite de cada recurso. Os dados ajudam a testar hipóteses e a evitar vieses. O julgamento ajuda a interpretar o que os números não mostram. Marcio Alaor de Araujo avalia que decisões fortes combinam os dois elementos.

Cultura de decisão com base em fatos

Usar dados também depende de comportamento. Se as reuniões premiam quem tem a opinião mais forte, as pessoas deixam de apresentar números que contradizem a posição do chefe. Líderes que perguntam pelos dados e aceitam informações incômodas criam um ambiente mais honesto.

Registrar as decisões, com a informação usada e o resultado esperado, permite aprender com os acertos e os erros. Após alguns meses, a comparação entre expectativa e realidade mostra onde a análise precisa melhorar. Marcio Alaor de Araujo recomenda reservar uma reunião por trimestre para revisar as decisões mais importantes e discutir o que os dados indicavam na época.

Esse exercício reduz o peso do acaso e melhora a calibragem do grupo. As equipes passam a reconhecer padrões de erro, como otimismo excessivo em projeções de vendas, e ajustam as premissas usadas nas próximas análises.

Menos painéis, mais decisões

O valor dos dados está na ação que provocam. Poucos indicadores confiáveis, perguntas claras e uma cultura aberta a fatos aproximam a empresa de decisões melhores. A tecnologia amplia o alcance, mas a disciplina de gestão continua sendo o diferencial. Empresas que definem as perguntas antes e cuidam da qualidade da informação constroem uma vantagem. Se revisarem as próprias decisões, essa vantagem se acumula ao longo dos anos.

 

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