Curitiba ganha primeiro voo direto para a Europa e entra no mapa internacional

Por Diego Velázquez 7 Min de leitura

TAP Air Portugal inaugura ligação com Lisboa em julho de 2026, marcando a primeira conexão aérea direta entre o Paraná e o continente europeu

Curitiba entrou para a história da aviação paranaense em 2 de julho de 2026, data em que pousou no Aeroporto Internacional Afonso Pena o primeiro voo regular direto ligando a capital à Europa. A operação é da TAP Air Portugal, principal companhia aérea europeia em atuação no Brasil, e representa a primeira vez que o Paraná conta com uma conexão aérea direta e regular com o continente europeu, um marco que vinha sendo articulado desde o fim de 2025. A nova rota funciona com três frequências semanais, às terças, quintas e sábados, e é operada com aeronaves Airbus A330-200, com capacidade para cerca de 257 a 269 passageiros dependendo da configuração das duas classes de serviço oferecidas, executiva e econômica.

A operação tem uma particularidade que chama atenção de quem pretende viajar: por questões técnicas relacionadas à extensão da pista do Aeroporto Afonso Pena e à altitude de aproximadamente 900 metros acima do nível do mar da região, que impõe restrições para a decolagem de determinadas aeronaves com carga total, o trajeto de ida funciona em formato triangular. O voo sai de Curitiba, faz uma parada no Rio de Janeiro, no Aeroporto do Galeão, e de lá segue direto para Lisboa. Já o retorno de Portugal para Curitiba é feito sem escalas, com duração de aproximadamente 10 horas e 50 minutos. Segundo o cronograma divulgado pela companhia, os voos partindo de Curitiba decolam às 20h05 e chegam ao Rio de Janeiro por volta das 21h30, seguindo depois para Lisboa às 23h, com chegada prevista para 12h45 no horário local português após cerca de 9h45 de voo. No sentido inverso, o avião deixa Lisboa às 11h45 e pousa em Curitiba, sem escalas, por volta das 18h30.

Por que essa rota importa para o turismo paranaense

O anúncio da nova ligação aérea não é um evento isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de internacionalização que o Paraná vem construindo nos últimos anos. Segundo dados do próprio governo estadual, o Paraná recebeu mais de 826 mil turistas estrangeiros entre janeiro e setembro do ano passado, o que posiciona o estado como o quarto que mais recebe visitantes internacionais no Brasil, atrás apenas de estados com aeroportos historicamente mais movimentados para tráfego internacional. Com a chegada da TAP, o Aeroporto Afonso Pena passa a contar com seis conexões internacionais regulares, somando-se às rotas já existentes para Santiago, no Chile, que tem duas frequências, Buenos Aires, na Argentina, Lima, no Peru, Assunção, no Paraguai, e Montevidéu, no Uruguai. A expectativa das autoridades estaduais é de que a nova rota impulsione não apenas o turismo de lazer, mas também negócios e exportações, já que voos internacionais regulares costumam facilitar o deslocamento de empresários e abrir portas para parcerias comerciais que antes dependiam de conexões via São Paulo.

Do ponto de vista prático para quem vai viajar, a nova rota reduz o tempo total de deslocamento entre o Paraná e a Europa em cerca de três horas, quando comparado a itinerários que exigem escala obrigatória em São Paulo antes de seguir para o continente europeu. Além disso, a conexão em Lisboa abre a possibilidade de embarque para outros destinos europeus a partir do Aeroporto Humberto Delgado, um dos principais hubs aéreos do continente e base operacional da própria TAP, que oferece mais de 1.250 voos semanais para 88 cidades distribuídas entre América do Norte, América do Sul, África, Oriente Médio e Europa. As passagens para a nova rota já estavam disponíveis para venda desde novembro do ano passado, com tarifas promocionais de ida e volta que chegaram a ser anunciadas na casa dos 498 dólares, ainda sem taxas incluídas, cobrindo viagens entre julho e dezembro de 2026.

O outro lado: transparência sobre custos públicos envolvidos

Nem tudo relacionado à nova rota, porém, se resume a comemoração. Discussões recentes levantadas por analistas políticos e econômicos locais têm cobrado maior transparência sobre os custos públicos envolvidos na viabilização da operação. A dúvida central não é sobre a existência da rota em si, mas sobre quanto foi efetivamente desembolsado por órgãos como o Viaje Paraná e a Invest Paraná para atrair a companhia, se houve renúncia de receita envolvida na negociação, e quais metas de desempenho, como ocupação média dos voos e volume de carga transportada, foram estabelecidas como contrapartida para justificar eventuais incentivos públicos oferecidos à TAP. Esse tipo de cobrança por transparência é comum em operações desse tipo em qualquer estado brasileiro, e especialistas argumentam que só será possível avaliar o real retorno econômico da rota depois de meses de operação, quando dados concretos sobre taxa de ocupação, origem dos passageiros e gasto médio por turista europeu estiverem disponíveis publicamente.

Para além do debate sobre custos, a chegada da TAP também acontece em um momento de expansão mais ampla da infraestrutura aeroportuária do estado. A concessionária Motiva conduz atualmente as obras da terceira pista do Aeroporto Afonso Pena, com conclusão prevista para o fim de 2026, o que deve permitir a operação de aeronaves de maior porte e viabilizar, no futuro, novas rotas internacionais diretas sem a necessidade de escalas técnicas como a que atualmente conecta Curitiba ao Rio de Janeiro. Enquanto isso, o primeiro voo já pousou, turistas europeus já começaram a desembarcar na capital paranaense, e o setor de turismo local aposta que a nova conexão vai se tornar, com o tempo, uma porta de entrada relevante para visitantes vindos diretamente do continente europeu.

Fontes: Governo do Estado do Paraná | CNN Brasil | Dicas de Viagem | Blog do Esmael

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