Estado registra queda de mais de 10% nos assassinatos e cerca de 62% das cidades paranaenses ficaram cinco meses sem nenhum homicídio registrado
O Paraná fechou os cinco primeiros meses de 2026 com o menor número de homicídios já registrado desde que a série histórica de dados começou a ser integrada, em 2007. Segundo o Centro de Análise, Planejamento e Estatística da Secretaria da Segurança Pública do Estado, os casos caíram de 519, entre janeiro e maio de 2025, para 466 no mesmo período deste ano, uma redução superior a 10%. O detalhe que chama atenção é que o ano anterior já havia sido, até então, o melhor da série histórica, o que torna a nova queda ainda mais expressiva do ponto de vista estatístico. Quando a comparação é feita com 2018, ano usado como referência por representar o início do ciclo mais recente de políticas de segurança pública no estado, a diferença salta aos olhos: eram 859 homicídios nos cinco primeiros meses daquele ano, contra 466 agora, uma redução de 46%. Na comparação com 2024, quando foram 735 casos no mesmo período, a queda também passa de 36%.
Por trás dos números frios existe um dado que talvez traduza melhor o significado da estatística para quem vive no interior do estado. Do total de 399 municípios paranaenses, 250 não registraram um único homicídio nos cinco primeiros meses de 2026, o equivalente a mais de 62% das cidades. No ano passado, esse número já era alto, com 240 municípios sem nenhum caso no mesmo período, o que mostra que a tendência de queda não está concentrada apenas nas grandes cidades, mas se espalha por boa parte do território paranaense. O secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo Sanson, resumiu o resultado de forma direta ao afirmar que, comparando os anos, 2026 já representa 53 vidas salvas em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo ele, a queda contínua nos índices criminais é fruto de uma política de atuação das forças de segurança que combina integração entre órgãos, uso de inteligência e investimento em efetivo, estrutura e equipamentos, e não de um fator isolado ou de uma ação pontual.
Como as operações contra o crime organizado entram na conta
Um exemplo concreto dessa estratégia foi a megaoperação realizada em 15 de junho, que resultou em mais de 550 mandados de prisão, busca e apreensão cumpridos simultaneamente em diferentes regiões do estado. Esse tipo de ação tem como alvo não apenas autores diretos de crimes violentos, mas a logística das organizações criminosas, o fluxo financeiro que sustenta suas operações e a cadeia de comando que planeja e ordena os crimes. A lógica por trás dessa abordagem é que atacar a estrutura financeira e organizacional de facções tende a ter efeito mais duradouro sobre os índices de violência do que apenas reagir a ocorrências já registradas, já que reduz a capacidade operacional dessas organizações de sustentar disputas territoriais que costumam gerar homicídios.
Os números de crimes contra o patrimônio seguem o mesmo caminho de queda. Os roubos no estado, que somaram 6.482 ocorrências entre janeiro e maio de 2025, caíram para 5.104 no mesmo período de 2026, uma redução de mais de 21%. Na comparação com 2018, quando foram 25.846 casos, a queda ultrapassa 80%. Já os roubos de veículos caíram de 685 casos em 2025 para 520 em 2026, uma redução de mais de 24%, e frente aos 3.563 casos registrados em 2018, a diminuição chega a mais de 85%. Na prática, isso significa que, de cada 20 carros roubados naquele ano de referência, hoje apenas três são roubados proporcionalmente, o equivalente a 3.043 veículos que deixaram de ser furtados no estado apenas nos cinco primeiros meses deste ano. Regiões específicas do Paraná também confirmam a tendência estadual. Na área que reúne os 54 municípios da Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, os homicídios caíram 19% no mesmo período, passando de 83 para 67 casos, enquanto os feminicídios recuaram de dez para cinco, uma redução de 50% na região.
O que explica a queda e o que ainda precisa de atenção
Vale reforçar que os números divulgados são dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública, e qualquer leitura mais aprofundada sobre suas causas exige cautela, já que múltiplos fatores costumam influenciar simultaneamente as estatísticas de criminalidade em qualquer estado, da situação econômica ao perfil demográfico das regiões analisadas. Ainda assim, o padrão de queda sustentada ao longo de vários anos consecutivos, e não apenas em um único período isolado, é o que dá peso à leitura de que existe uma política de segurança pública consistente sendo aplicada, e não apenas uma oscilação estatística pontual. Para o cidadão paranaense, o resultado prático se traduz em menos casas de luto, menos veículos roubados e, em mais de seis em cada dez municípios do estado, cinco meses inteiros sem um único homicídio registrado, um indicador que poucos estados brasileiros conseguem apresentar atualmente.
Olhando para frente, o desafio para o restante de 2026 será sustentar essa trajetória mesmo diante de fatores sazonais que costumam pressionar os índices de criminalidade, como o aumento de circulação de pessoas em períodos de festas populares e o inverno mais quente e chuvoso já previsto pelo Simepar para os próximos meses, que historicamente também influencia dinâmicas de segurança pública em áreas urbanas. A Secretaria de Segurança já sinalizou que pretende manter o ritmo de grandes operações contra organizações criminosas como estratégia central, apostando que reduzir a capacidade logística e financeira das facções continuará gerando reflexos positivos nos números de homicídios e roubos ao longo dos próximos meses.
