Pesquisa da Urbs começa nesta segunda-feira e pode indicar quais pontos do transporte coletivo precisam de melhorias na capital.
Curitiba iniciou nesta segunda-feira, 14 de setembro, uma nova rodada de avaliação do transporte coletivo, e a opinião dos passageiros poderá ajudar a definir quais aspectos do sistema precisam de atenção nos próximos meses. A terceira edição da pesquisa QualiÔnibus será realizada pela Urbanização de Curitiba, a Urbs, em parceria com o World Resources Institute, entre os dias 14 e 25 de setembro. Fiscais identificados como pesquisadores abordarão usuários em ônibus da capital entre 6h e 19h30, perguntando sobre temas como tempo de espera, tarifa, conforto, segurança, integração, confiabilidade e formas de pagamento.
A iniciativa interessa especialmente a quem depende do ônibus para trabalhar, estudar ou acessar serviços, porque o levantamento não pretende apenas produzir uma nota para o transporte coletivo. Os resultados são utilizados para identificar pontos positivos e problemas percebidos pelos passageiros. Como Curitiba transporta mais de 600 mil pessoas por dia, uma mudança na percepção dos usuários pode ajudar a orientar decisões que atingem uma parcela expressiva da população.
O que os passageiros de Curitiba serão perguntados durante a pesquisa
A pesquisa QualiÔnibus procura transformar a experiência cotidiana dos passageiros em informações que possam ser utilizadas no planejamento do transporte. As entrevistas abordam acesso ao sistema, tempo de espera, custo da viagem, conforto, segurança, integração, confiabilidade, pagamento e recarga de créditos. Também são consideradas características do usuário e da viagem, como motivo do deslocamento, frequência de utilização e quantidade de linhas necessárias para chegar ao destino.
Outro ponto que ganhou espaço no levantamento é a avaliação sobre os ônibus elétricos que estão sendo incorporados à frota. Isso permite acompanhar não apenas a satisfação tradicional com o transporte, mas também a percepção dos passageiros sobre mudanças tecnológicas e ambientais que podem alterar a experiência dentro dos veículos. Para quem utiliza o sistema diariamente, questões como ruído, conforto, acessibilidade e confiabilidade podem ser tão importantes quanto a própria existência de novas tecnologias. A pesquisa, portanto, ajuda a medir se a modernização percebida pela administração também está sendo percebida por quem utiliza o serviço.
A abordagem será feita por fiscais da Urbs devidamente identificados com crachá contendo a palavra “pesquisador”. As entrevistas ocorrerão durante o período previsto de 14 a 25 de setembro, com possibilidade de extensão caso seja necessário concluir a coleta. A Urbs informa que os resultados deverão ser compilados aproximadamente 30 dias depois do encerramento das entrevistas, o que significa que os passageiros não devem esperar uma mudança imediata nas linhas ou horários por causa da pesquisa.
O que a pesquisa anterior revelou sobre os ônibus de Curitiba
A comparação com os levantamentos anteriores ajuda a entender por que a nova rodada é relevante. Na pesquisa realizada em 2025, o transporte coletivo de Curitiba recebeu nota geral de satisfação 7,0, acima dos 6,5 registrados em 2024. Entre os itens mais bem avaliados estavam atendimento ao cliente, com nota 7,5, integração, com 7,3, e acesso ao transporte, com 7,2. O levantamento também mostrou que 86% dos usuários entrevistados recomendariam o transporte coletivo.
O resultado, porém, não significa que todos os problemas estejam resolvidos. A mesma pesquisa apontou segurança pública como o item de menor satisfação, com nota 4,9, seguida pelo conforto dos pontos de ônibus, com 5,6, e pela exposição a ruído e poluição, com 5,5. O gasto com transporte também recebeu avaliação inferior à média geral, com 5,9. Esses números ajudam a explicar por que uma nova pesquisa é importante: uma melhoria na nota geral pode coexistir com problemas específicos que continuam afetando a rotina dos passageiros.
Há ainda um aspecto importante para o futuro da mobilidade curitibana. Em 2025, 81,7% dos entrevistados declararam apoiar a adoção de ônibus elétricos, enquanto 52,9% consideraram a qualidade do serviço adequada ao valor pago. A nova edição permitirá verificar se essas percepções permanecem semelhantes e se mudanças ocorridas desde o levantamento anterior alteraram a avaliação dos usuários. O acompanhamento anual também pode mostrar se determinadas medidas realmente produzem melhora percebida por quem utiliza o transporte, em vez de depender somente de indicadores administrativos.
Como as respostas podem influenciar o futuro do transporte coletivo
A principal utilidade da pesquisa está na possibilidade de transformar reclamações e percepções dos passageiros em prioridades de gestão. A própria Urbs afirma que os dados ajudam a mapear pontos com bons resultados e outros que precisam ser melhorados. Isso pode envolver diferentes partes do sistema, desde informações disponibilizadas ao usuário até conforto, segurança, integração entre linhas e qualidade da infraestrutura utilizada durante a viagem.
Um exemplo de como os levantamentos podem produzir desdobramentos está justamente na segurança. Depois de a pesquisa anterior apontar esse aspecto como o de menor aprovação, a Prefeitura informou a criação da Patrulha do Transporte Coletivo para combater furtos, assédio e outras ocorrências no sistema. A Urbs também mantém comunicação entre os ônibus e o Centro de Controle Operacional, permitindo que motoristas comuniquem crimes, acidentes e outras intercorrências para acionamento das forças de segurança.
Para o morador de Curitiba, portanto, o resultado mais importante da pesquisa não será apenas a nota geral que aparecerá no próximo relatório. O que merece acompanhamento é quais problemas continuarão aparecendo, quais terão melhora e quais novas demandas surgirão com a transformação do sistema. A previsão é que os resultados sejam compilados cerca de 30 dias após o fim das entrevistas, criando uma nova fotografia da percepção dos passageiros e oferecendo indicadores para decisões futuras.
O levantamento também ganha importância porque o transporte coletivo passa por mudanças que vão além da percepção de conforto dentro dos ônibus. A incorporação de veículos elétricos, a modernização de sistemas de pagamento, projetos estruturantes de mobilidade e discussões relacionadas à concessão tornam cada vez mais importante medir se as transformações atendem às necessidades reais dos usuários. Para quem trabalha ou estuda na capital, acompanhar esses resultados significa entender quais aspectos do deslocamento diário podem receber maior atenção nos próximos meses. A expectativa, portanto, é que a nova pesquisa ajude Curitiba a comparar avanços, identificar gargalos persistentes e orientar investimentos com base também na experiência de quem está dentro do ônibus todos os dias.
Fontes: Urbs, pesquisa QualiÔnibus 2026 · Urbs, resultados da pesquisa de 2025 · Prefeitura de Curitiba, pesquisa com passageiros
