Edital prevê R$ 3,9 bilhões em investimentos, novas conexões, transporte por demanda e mudanças que devem afetar quem usa ônibus na capital.
O transporte coletivo de Curitiba entrou em uma nova etapa que pode alterar de forma significativa a rotina de quem depende de ônibus para trabalhar, estudar ou circular pela cidade. A Prefeitura publicou em 19 de agosto o edital da nova concessão do sistema, com contrato previsto para 15 anos e investimentos estimados em R$ 3,9 bilhões. A disputa está marcada para novembro e prevê a divisão da operação em cinco lotes. (Urbs Curitiba)
Mais do que uma troca de empresas, a proposta envolve mudanças na forma como o passageiro poderá fazer integrações, na composição da frota e na utilização de tecnologias para organizar deslocamentos. O projeto também prevê ônibus elétricos, novos itinerários, climatização progressiva e mecanismos de avaliação da qualidade do serviço. Para quem mora em Curitiba e na Região Metropolitana, a questão principal é entender quando essas mudanças poderão aparecer no cotidiano e o que será necessário para aproveitar os novos recursos.
O que muda para quem usa ônibus em Curitiba?
Uma das alterações com maior potencial de impacto direto é a integração temporal irrestrita. Atualmente, a estrutura da Rede Integrada de Transporte permite diferentes conexões, mas a nova concessão pretende ampliar a possibilidade de troca de ônibus sem que o passageiro precise necessariamente passar por um terminal ou estação-tubo. Com o cartão-transporte da Urbs, a proposta é permitir a conexão em qualquer ponto de embarque dentro de um período previamente estabelecido, sem cobrança de uma nova passagem. (Urbs Curitiba)
Na prática, a mudança pode beneficiar principalmente trabalhadores e estudantes que precisam combinar diferentes linhas para chegar ao destino. Um morador de um bairro mais afastado, por exemplo, poderá ter mais alternativas para trocar de ônibus durante o trajeto sem precisar concentrar todo o deslocamento nos terminais tradicionais. A Urbs estima que a medida possa reduzir em 4,7 pontos percentuais a quantidade de transbordos e contribuir para viagens mais rápidas e diretas. (Urbs Curitiba)
O projeto também prevê quatro novas linhas conectoras, ligando terminais de diferentes regiões da cidade. Entre as conexões planejadas estão Tatuquara com Carmo, Pinheirinho com Centenário, Portão com Capão da Imbuia e Santa Felicidade com Bairro Alto. A proposta ainda inclui o retorno da Circular Centro, com operação prevista por ônibus elétricos, criando novas possibilidades de deslocamento sem depender exclusivamente dos grandes eixos radiais. (Urbs Curitiba)
Outro ponto que pode chamar atenção nos próximos anos é a possibilidade de transporte por demanda. O edital prevê um programa de testes com duração de 12 meses, utilizando nove veículos de menor porte, nos quais as rotas poderão ser ajustadas conforme a procura dos passageiros. A ideia inclui estudar agendamentos por aplicativo e trajetos dinâmicos, uma solução que pode ser especialmente útil em horários ou regiões onde a demanda é menor e uma linha convencional tem dificuldade para operar com eficiência. (Urbs Curitiba)
Como os ônibus elétricos podem transformar Curitiba?
A eletrificação é outro eixo central da nova concessão e representa uma mudança importante para uma cidade conhecida historicamente pelo modelo de transporte estruturado em corredores de ônibus. O edital prevê a entrada de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031, sendo 90 veículos já no início da nova operação. A frota elétrica deverá concentrar-se principalmente nas linhas de maior demanda, e a estimativa municipal é que aproximadamente um terço dos lugares oferecidos pelo sistema seja atendido por veículos elétricos. (Urbs Curitiba)
Para o passageiro, a mudança não significa apenas trocar um motor a diesel por outro sistema de propulsão. Todos os novos ônibus elétricos previstos terão ar-condicionado, enquanto os novos veículos a diesel também deverão contar com climatização. A previsão é que metade da frota esteja climatizada em 2031 e que toda a frota alcance esse padrão em até 12 anos, o que pode representar uma alteração importante no conforto das viagens, especialmente durante períodos de temperaturas mais elevadas. (Urbs Curitiba)
Há também um componente ambiental relevante. Segundo as estimativas apresentadas pela Prefeitura, a eletrificação poderá reduzir em 28% o consumo projetado de diesel da frota durante o período considerado, além de diminuir em 20% as emissões de gases de efeito estufa e em 88% a emissão de material particulado. Para Curitiba, isso coloca o transporte coletivo no centro das políticas de mobilidade sustentável e pode influenciar futuras decisões sobre circulação, qualidade do ar e planejamento urbano. (Urbs Curitiba)
A transformação, entretanto, exige infraestrutura. Por isso, a concessão prevê investimentos em sistemas de recarga e dois eletropostos públicos, nos terminais Capão Raso e Capão da Imbuia. Do total de R$ 3,9 bilhões estimados para os 15 anos de contrato, 96,75% estão relacionados à frota e 3,25% à infraestrutura de recarga elétrica e novas estações-tubo. Somente nos cinco primeiros anos, a previsão de investimentos chega a aproximadamente R$ 2,44 bilhões. (Urbs Curitiba)
Quando as mudanças começam e o que ainda precisa acontecer?
Apesar de o edital já ter sido publicado, as transformações não ocorrerão imediatamente. As propostas das empresas interessadas deverão ser entregues em 17 de novembro, enquanto o leilão está previsto para 26 de novembro, ambos na B3, em São Paulo. A publicação do edital ocorreu depois de autorização da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, e a modelagem foi elaborada pela Prefeitura em parceria com o BNDES, com análise prévia do Tribunal de Contas do Paraná e participação popular em audiências públicas. (Urbs Curitiba)
O processo de concessão merece atenção porque envolve contratos de longo prazo e uma operação essencial para a economia da capital. Curitiba conta atualmente com cerca de 580 mil passageiros nos dias úteis, 302 linhas, 22 terminais, 89 quilômetros de vias exclusivas e uma frota operacional de 1.207 ônibus. Isso significa que qualquer alteração no desenho do sistema pode ter reflexos sobre deslocamentos para empregos, escolas, universidades, comércio e serviços, além de influenciar a própria dinâmica econômica dos bairros. (Urbs Curitiba)
Outro aspecto importante está na forma de remuneração das futuras concessionárias. O novo modelo pretende separar a arrecadação das tarifas da remuneração das empresas, utilizando critérios como quilometragem, horas operadas, quantidade de veículos, infraestrutura, investimentos e desempenho operacional. A proposta busca dar maior previsibilidade ao contrato e permitir que o município mantenha sua política tarifária levando em consideração a oferta de transporte e sua capacidade de subsidiar o sistema. (Urbs Curitiba)
Para o usuário, isso também significa que a qualidade do serviço passará a ter papel mais claro na avaliação das concessionárias. O edital estabelece dez indicadores, incluindo pontualidade, cumprimento de viagens, satisfação dos passageiros, reclamações, confiabilidade da frota, conservação dos veículos e ocorrência de sinistros. Esses resultados formarão um Índice de Desempenho Global, cuja avaliação poderá reduzir em até 3% a remuneração mensal de uma concessionária que apresentar desempenho considerado insuficiente. (Urbs Curitiba)
Os próximos meses, portanto, serão decisivos para saber quais empresas disputarão os lotes e como será conduzida a transição para o novo modelo. Para quem vive em Curitiba, vale acompanhar não apenas o resultado do leilão, mas também o cronograma de implantação das novas linhas, da integração temporal e dos ônibus elétricos. Se o planejamento for executado conforme previsto, a capital poderá avançar para um sistema mais conectado, silencioso, climatizado e tecnológico, ao mesmo tempo em que abre espaço para soluções de mobilidade mais flexíveis e sustentáveis.
