A liderança deve falar sobre riscos em todas as reuniões? Márcio Alaor de Araújo alude!

Por Sebastian Dorel 5 Min de leitura
Márcio Alaor de Araújo

Uma empresa pode ter políticas impecáveis e ainda assim tratar riscos de forma improvisada. Márcio Alaor de Araújo, executivo do mercado financeiro e empresário com foco em resultados, observa que a cultura de gestão de risco se revela nas decisões tomadas sob pressão, quando o procedimento escrito encontra a realidade.

Se uma equipe esconde um atraso para evitar uma cobrança, o problema já não é apenas operacional. Se uma liderança premia resultados sem perguntar como foram obtidos, transmite uma mensagem sobre o risco que a organização aceita. A cultura aparece nesses sinais cotidianos. Como transformar esse comportamento? A resposta passa por liderança, comunicação, incentivos e capacidade de aprender com falhas. As perguntas mais comuns ajudam a separar uma cultura viva de um conjunto de documentos que ninguém consulta.

O que caracteriza uma cultura de risco madura?

Uma cultura madura permite que as pessoas reconheçam incertezas antes que elas se tornem perdas. Isso exige linguagem comum, canais de comunicação e clareza sobre os limites de decisão. O objetivo não é criar medo, mas melhorar a qualidade das escolhas.

O Ministério da Fazenda descreve uma cultura positiva de riscos como aberta e proativa, com espaço para colaboração e debate. Na prática, isso significa discutir uma exposição sem transformar o alerta em acusação. A informação chega mais cedo e a resposta ganha alternativas.

A liderança precisa falar de risco todos os dias?

A liderança não precisa transformar toda reunião em uma aula de controles. Precisa, porém, incluir riscos relevantes nas conversas sobre metas, orçamento, pessoas e crescimento. Quando executivos perguntam quais premissas sustentam uma decisão, ensinam a equipe a pensar além do resultado imediato.

Márcio Alaor de Araújo explica que o exemplo dos gestores vale mais que um comunicado isolado. Se a direção exige transparência, respeita limites de aprovação e revisa decisões quando surgem evidências novas, a mensagem se torna observável. O comportamento esperado deixa de ser abstrato.

Como criar segurança para comunicar problemas?

O primeiro passo é diferenciar comunicação de risco de confissão de culpa. Quem identifica uma falha precisa informar o fato, seu possível impacto e a medida proposta. A apuração de responsabilidades pode ocorrer depois, com dados e contexto, sem bloquear o alerta inicial.

Márcio Alaor de Araújo
Márcio Alaor de Araújo

Canais formais ajudam, mas não resolvem tudo. Márcio Alaor de Araújo aponta que a confiança aumenta quando a empresa informa o que fez com o alerta recebido. A equipe também precisa perceber que a informação será recebida com seriedade. Reuniões de acompanhamento, registros objetivos e retorno sobre as providências mostram que comunicar um risco produz consequência prática.

Incentivos podem aumentar a exposição ao risco?

Sim. Metas mal desenhadas podem estimular atalhos, concentração excessiva de vendas ou adiamento de controles. O resultado aparente melhora por um período, mas a empresa acumula obrigações, retrabalho e vulnerabilidades que surgirão adiante.

Por isso, a avaliação de desempenho deve considerar resultado e forma de execução. Márcio Alaor de Araújo avalia que esse equilíbrio aproxima gestão de pessoas e governança. Reconhecer quem entrega com responsabilidade sinaliza que alta performance não significa ignorar limites.

Treinamento basta para mudar comportamentos?

Treinamento ajuda a explicar conceitos, responsabilidades e procedimentos. Ele é insuficiente quando os processos contradizem a mensagem da sala de aula. Não adianta recomendar reporte imediato se o sistema dificulta registros ou se a liderança só valoriza quem nunca traz problemas.

A mudança acontece quando conhecimento encontra prática. Simulações, análise de incidentes, revisão de controles e conversas entre áreas tornam o risco parte do trabalho. O aprendizado também precisa alcançar novas lideranças, para que a cultura não dependa de uma única pessoa.

Uma cultura consistente não elimina divergências. Ela oferece critérios para que a discordância seja produtiva e a decisão fique registrada. Assim, a organização preserva velocidade sem confundir agilidade com ausência de análise.

O efeito mais valioso aparece no longo prazo: equipes capazes de falar cedo sobre incertezas protegem a estratégia, a reputação e a continuidade do negócio. A gestão de risco deixa de ser uma obrigação da área de controles e passa a ser uma responsabilidade compartilhada.

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